PRESIDENTE FIGUEIREDO

SÁBADO  – TERCEIRO DIA

Dia de sair da cidade. Vamos de táxi até o aeroporto pegar o carro que alugamos para conhecer os arredores. Destino de hoje: Presidente Figueiredo, 100 km ao norte de Manaus, cidade de cachoeiras e grutas.

A BR 174 que nos leva até lá é uma das pouquíssimas estradas da região. Foi uma surpresa para mim encontrar um terreno tão ondulado — em vários trechos a estrada parece um tobogã horizontal ladeado pela floresta.

Mapa-Pres-FigO tempo estava carregado, mas tínhamos que aproveitar o dia. Saímos do centro de informações de Pres. Figueiredo com dicas e um mapa das cachoeiras e grutas. Na maioria delas chega-se de carro até bem perto, o que significa uma caminhada curta pelas trilhas.

Chegamos à primeira cachoeira, a de Iracema, por uma bela trilha na floresta, que tinha árvores enormes, samambaias gigantes… bem, não vou me arriscar a dar nomes aos bois, pois só conheço com certeza amendoeiras e coqueiros. A queda d’água é bonita e vigorosa. A pequenina praia já está tomada por banhistas, afinal hoje é sábado! Tiramos algumas fotos e tomamos o caminho de volta, mas não sem entrar na pequena gruta Galo da Serra apenas para perturbar o sono dos morcegos que se abrigam ali. Nada de especial.

 

Escolhemos outra cachoeira no mapinha e ao chegarmos deparamos com uma não pequena quantidade de carros. Nem descemos. Seguimos adiante. No caminho para a terceira começou a chuviscar e como estávamos com fome paramos num restaurantezinho na entrada da cidade. O que escolher? Café com tapiocas (é, no plural mesmo!). Nunca tinha visto tantas possibilidades de recheio para panquecas de tapioca! Fui obrigado a experimentar algumas, pois desabou um temporal amazônico e ficamos ilhados durante uma meia hora (se fosse no Rio a cidade teria parado). Nada a fazer a não ser esperar… e comer mais tapiocas. Fiquei admirado com o vigor da Natureza na região. Lá todos os fenômenos naturais tem intensidade e dimensões… amazônicas.

 

Bem, chega de tapiocas! A chuva não parou mas está mais fraca. Corremos até o carro e vamos para outra cachoeira ali perto. Quem sabe o tempo colabora. Mal chegamos e desistimos outra vez — a quantidade de carros nos desencoraja. Lição do dia: nunca vá conhecer cachoeiras próximas de cidades em fins de semana!

O que fazer? Voltar para Manaus? Nem pensar! Consultando o mapinha resolvemos seguir para leste por uma estrada transversal, a AM-240. Vamos nos afastar do burburinho e ver o que encontramos. Não sabíamos mesmo o que esperar porque, como já disse, não planejamos nenhum roteiro com antecedência.

Depois de uma hora de estrada decidimos tentar outra cachoeira. Vamos nos dar mais uma chance. Enveredamos por uma estradinha de terra e depois seguimos à pé até a cachoeira Pedra Furada.

 

Ah, desta vez valeu a pena! Só nós no meio da mata. A água aqui não chega a ser morna, mas está muito longe de ser gélida como no nosso sudeste.

 

Depois de um banho revigorante pegamos o carro e continuamos seguindo para leste. A certa altura deparamos com um boteco à beira de um lago, que logo descobrimos ser o ponto de encontro de pescadores e de mergulhadores. Já chegamos debaixo de chuva forte. Ficamos sabendo que estamos nos arredores de Vila de Balbina, e o lago é da hidrelétrica de mesmo nome.

Não quisemos nos arriscar nos quitutes (frituras) oferecidos no estabelecimento. Tomamos uma Coca-Cola e voltamos para a estrada.  Descobrimos que ela terminava  num trecho de asfalto transversal, muito largo, sem marcações e cercado de mato. Que raios será isto? Depois fomos saber que é uma das pistas de pouso utilizadas pelo IBAMA e pela Polícia Federal (pelo menos foi o que nos disseram).

Estamos no meio da tarde. Dá para esticar mais um pouco? Constance descobre uma estradinha de terra do outro lado da pista de pouso. Vamos ver aonde conseguimos chegar com nosso valente e esforçado carrinho 1.0.

Depois de rodarmos um tanto topamos com uma madeireira onde não havia viva alma. Sem encontrar nada além de mata e lama, sem saber onde estávamos (o GPS também não sabia), com o fim da tarde se aproximando e com o combustível baixo achamos melhor voltar. Só que estamos bem longe de casa. Precisamos encontrar um posto de gasolina, mas não há um ser humano sequer para dar alguma informação.  Felizmente acabamos desembocando na vila onde mora o pessoal que trabalha na hidrelétrica. Não havia absolutamente ninguém na rua, mas topamos com um solitário posto de gasolina, guarnecido por um vira-lata e um único frentista louco para bater papo com alguém. Alívio!

Agora podemos voltar para Manaus tranquilamente. Chegaremos à noite, mas bem antes disso nosso santo GPS já terá se recuperado da amnésia e poderá  nos guiar até o hotel.


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