NOVO AIRÃO

DOMINGO – QUARTO DIA

Hoje é nosso último dia em Manaus (amanhã voaremos para Tefé). Mas não queremos mais ficar na capital.  O guia 4 Rodas indica uma cidadezinha nas imediações chamada Novo Airão, onde é possível nadar com os botos-rosa. Ôba! Tem bicho! Quero ir! De lá também poderemos pegar um barco para visitar o arquipélago de Anavilhanas.  Como acontece com tudo que é pensado de última hora, o potencial dos planos improvisados  não se realizarem é grande, mas continuamos seguindo um lema que costuma funcionar: “Quem não arrisca, não petisca!”

Novo Airão fica 180 km a noroeste de Manaus, só que do lado oposto do Rio Negro. Por isso primeiro temos que dirigir para o sul para atravessar o rio. Felizmente não é mais necessário colocar o carro numa barcaça para se chegar ao outro lado — agora pode-se utilizar a bela ponte estaiada,  inaugurada em 2011, que é a maior ponte fluvial e estaiada do Brasil (3,6 km).

Bem, imagino que vamos conseguir uma boa média de velocidade e que haverá tempo para fazermos um pouco de tudo, ainda mais porque hoje é domingo e não haverá trânsito. a_bEstradaPuro engano; levamos quase uma hora e meia para sair de Manaus metidos num senhor engarrafamento por causa de uma maratona. Esta perda de tempo me custou muita irritação, afinal quero aproveitar ao máximo o dia e as distâncias de hoje serão grandes.

Uma vez na outra margem ainda pegamos um certo trânsito de domingueiros que iam se refrescar,  fazer churrasco, beber cerveja, se divertir nos inúmeros balneários ao longo do rio e da estrada. Eu precisava acelerar, mas aquela estradinha ondulada, de pista simples e mão dupla, repleta de motoristas sem pressa não ajudava.

Depois de percorrermos um bom trecho e deixarmos para trás os balneários a estrada ficou livre e pude acelerar nosso Uno 1.0.

d_DSC05997Já fazia bastante calor quando erramos a entrada para Novo Airão e fomos dar em Manacapuru.  Tomamos informações e refizemos o caminho até a bifurcação com a AM-352. Pé na estrada — tínhamos mais uns 100 km pela frente.

 

 

 

 

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Chegando a Novo Airão perguntamos logo pelos botos e fomos direto para lá.

 

Bem em frente ao flutuante havia o que  parecia ser um pequeno estacionamento no quintal de um casebre.  Por coincidência, o sujeito que nos disse que podíamos deixar o carro ali também era o piloto de uma voadeira que fazia o passeio até Anavilhanas. Ficamos interessados: mesmo havendo só nós dois ele nos levaria por um preço bem razoável. Mas antes fomos indagar como era o esquema dos botos.  Felizmente o programa desses simpáticos mamíferos estava mesmo funcionando. Ufa! Não perdemos a viagem.

Eles aparecem ali de hora em hora para serem alimentados. Já havia um pequeno número de pessoas esperando a próxima sessão. Tudo combinado. Era só esperar o despertador que esses bichos têm no estômago tocar. Enquanto eles não apareciam ouvimos uma breve explicação de como deveríamos alimentá-los e fomos para o deck. Não é que os bichos vieram mesmo! Nada como comida fácil.

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Agora vamos para Anavilhanas.  O barqueiro já estava nos esperando e nos dirigimos para a voadeira. Já não somos os únicos passageiros; o piloto pergunta se um pequeno grupo recém-chegado pode se juntar a nós. Claro! Vamos todos conhecer um pedacinho de um dos maiores arquipélagos fluviais da Amazônia, com cerca de 400 ilhas!

No trajeto voltou a chover e a visibilidade diminuiu — uma pena. Em dado momento cortamos a floresta por um igarapé e demos num lago gigantesco! O piloto nos informou que aquele era apenas um dos muitos “lagos” do arquipélago. Nossa, como tudo aqui é gigantesco!

Na volta ele nos levou até uma praiazinha onde já havia alguns cidadãos relaxando, aproveitando o domingo.

Voltamos do passeio de barco esfomeados. Queríamos comida, em vez de amendoins e chocolates, mas não vimos nada aberto por perto. O guia 4 Rodas mencionava um restaurante que funcionava de terça a domingo. Nem tudo está perdido.

Chegamos ao local mas não havia viva alma! Só galinhas e cachorros.

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Batemos numa casa vizinha e nos disseram que o dono era um francês que estava viajando. Que ótimo! Bem, vamos rodar por esta cidadezinha; algum estabelecimento há de querer vender comida aos domingos.

 

Como os cupins daqui gostam de um poste!!!!d_DSC06170

Para onde foi todo mundo??? Este solitário habitante não entendeu minha pergunta e nos ignorou.
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Nada a fazer senão bater em retirada e no trajeto de volta ficar de olho em alguma lanchonete na estrada. Tínhamos 180 km pela frente e o que sobrou dos víveres que trouxemos.

A certa altura desabou um temporal medonho. O limpador do pára-brisas mal dava conta. Por sorte a estrada estava vazia porque ainda estávamos longe de Manaus.

 

O tempo passava e nem sinal de posto ou lanchonete para podermos comer pelo menos um queijo quente. Aquela água toda estava me dando uma vontade danada de fazer xixi. Sair do carro debaixo daquele pé d’água era inviável. “Há de aparecer algum posto.”

Nada. Quem sabe mais pra frente… Nada.

Estava anoitecendo. Mais perto de Manaus os postos começaram a aparecer — e o trânsito dos domingueiros também. Finalmente paramos em um posto. A chuva não cedia. Teria que ser uma corrida muito rápida até o banheiro e outra de volta para o carro.

Não teve jeito. Me molhei um bocado mas fiquei aliviado. Agora que estávamos perto de Manaus resolvemos deixar para jantar lá de uma vez.

A corrida do banheiro do posto para o carro.

A corrida do banheiro para o carro.

Chegamos à cidade à noite, debaixo de muita chuva e engarrafamento. Depois de um bom banho saímos para jantar num restaurante de peixes da região, muito bom por sinal.


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